Crítica – Pelé

04/03/2021

Lançado recentemente pela Netflix, "Pelé" conta a história do maior jogador de futebol de todos os tempos, passando por toda sua vida, com as maiores polêmicas e também as grandes glórias. Com uma recuperação de arquivos - imagens, vídeos e áudios - excepcional, uma cronologia narrativa empolgante e um background político destacável, o que faltou no documentário que conta a vida do Rei foi tempo.

Com apenas 1 hora e 48 minutos, toda essa investida em aprofundar conteúdos - principalmente aqueles não relacionados ao futebol - e trazer a melhor experiência para o público fica limitada. Afinal, com uma abordagem tão rica e com tantos desdobramentos, a duração de um filme não se faz justa. O melhor planejamento seria a alteração para, quem sabe, uma série de três ou quatro episódios.

Esquecendo esse problema, é impossível dizer que Pelé da Netflix não tem seu valor. A começar pela ótima recuperação de arquivos, trazendo momentos nunca antes apresentados sobre a vida de Pelé. Apenas por esse critério já vale a pena assistir à produção. No entanto, a cronologia narrativa passando pelos grandes momentos da carreira do Rei também merece destaque, frenética e constante, consegue deixar o espectador prestando atenção a cada segundo de tela.

Outro ponto a chamar atenção é o plano de fundo político inserido na trama - a ditadura militar no Brasil. Claro, ele fica meio raso em comparação ao tempo que merecia, ainda assim, é uma virgula diferente no arco padrão quando falamos de Pelé. A polêmica que o longa busca acaba ficando reduzida em decorrência da falta de relatos atuais, tanto de personagens da época, quanto do próprio Pelé, já em idade avançada.

A idade de Pelé é uma questão a ser debatida sobre a duração do documentário. É bem possível que com uns 10 anos a menos, a produção fosse mais ousada e apertasse mais o Rei, algo impraticável pela sua saúde do mesmo nos dias atuais. Os demais entrevistados ficam apenas no básico, com poucos relatos extraordinários e que realmente tragam algo de diferente.

Alguns fatos da carreira do astro acabaram esquecidos - entre eles o Santos, o Cosmos - provavelmente ocasionado pela falta de imagens ou de tempo. No entanto, apesar dessas qualidades, fica a sensação de não molhar o pé, chegar na beira da praia e apenas olhar o mar, como se o apresentado fosse apenas um trailer do grande evento que está por vir. Pelé merecia um formato estilo "The Last Dance" com vários episódios e aprofundamento absurdo, infelizmente, o documentário da Netflix não é isso.

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