Crítica – Loki

15/07/2021

A Marvel apostou no vilão mais querido de seu universo para dar o pontapé inicial em sua Fase 4. Loki é a terceira produção para o Disney+ decorrente do Universo Cinematográfico da Marvel - antes tivemos WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal -, e a primeira grande aposta da produtora para apresentar o multiverso e todo o plano de fundo que irá cercar os arcos narrativos de sua fase pós Vingadores.

Dividido em seis episódios, a produção conta a ramificação onde Loki (Tom Hiddleston) escapa após a Batalha de Nova York - acontecimento originário de Vingadores: Ultimato - e as consequências dessa linha temporal. Para isso, somos apresentados a TVA, sigla em inglês para Autoridade de Variância Temporal, onde Loki começa a ajudar na caça a outras variantes de si mesmo. A trama, a princípio, tem um arco conciso e que parece ter como foco o desenvolvimento da personalidade do protagonista, no entanto, a realidade muda e somos jogados para uma batalha para manutenção da linha temporal existente.

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Antes de comentar sobre a escalada de acontecimentos da série, é preciso enfatizar o desenvolvimento de seus personagens. A destacar o tradicional Loki, onde vemos os problemas psicológicos, a dificuldade de aceitação, sexualidade e também as características marcantes do mesmo. Em segundo escalão, Sylvie (Sophia Di Martino), a variante mais aprofundada, onde conhecemos uma Loki destemida, sem medo de arriscar, que sempre busca o livre arbítrio e o fim da TVA. Os dois carregam o seriado e conseguem cativar o público com sua relação de altos e baixos, uma dupla de muito carisma.

O roteiro de Loki é bastante confuso em seu início. Por abordar assuntos até então não debatidos no cinema, a produção precisa se esforçar para entregar os detalhes aprofundados da narrativa, algo que deixa o começo arrastado. A partir da apresentação, somos jogados em uma aventura de gato e rato, uma caçada sequencial ao longo de várias linhas temporais. O problema começa nos episódios finais, onde a série claramente não tem mais a capacidade de se concluir em seu próprio arco pela necessidade de apresentar algo maior para o Universo Marvel.

Esse problema é destacável no último episódio, onde o enredo da série é praticamente esquecido para focar no "bem do Universo" e no que será aproveitado nas produções seguintes da Marvel. Não há grandes erros nisso, porém, a Marvel começa a afastar o público geral e focar em seus fãs, pois a dificuldade em assimilar tantos conteúdos de plataformas variadas para entender o Universo é enorme para o espectador comum.

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Na parte técnica, a Disney/Marvel segue entregando um produto de nível cinematográfico, apesar de ser lançado no streaming. Há de se destacar as referências, com direito a Loki jacaré e tantas outras ao redor desses seis capítulos, coisas que grandes fãs dos quadrinhos irão reconhecer na hora.

Loki traz excelentes debates para a tela - como sexualidade, livre arbítrio e semelhantes -, aprofunda um de seus melhores personagens em anos de Universo, mas, acaba pecando pela necessidade de se conectar com o resto de sua realidade e não ter a capacidade de fechamento no próprio núcleo. A produção tem sua segunda temporada confirmada e deixa um gancho discutível para seu novo ano.

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