Cine Retrô - Psicose

Após diversos meses, o quadro Cine Retrô está de volta e vamos revisitar um dos maiores clássicos do cinema, Psicose de Alfred Hitchcock. Lançado em 1960, o filme é conhecido como um dos maiores suspenses de todos os tempos e por suas icônicas cenas, como a famosa morte na banheira.
Hitchcock em sua face mais definitiva. Psicose é uma aula de direção, principalmente para criar um clima de tensão. Camuflado em um roteiro comum até seus 30 minutos, a produção consegue criar suspense a todo e qualquer instante, realizado graças a maneira como é filmado dando ênfase na atuação dos atores e a sua espetacular trilha sonora, que arrepia até os dias atuais.
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Falando em atuação, Anthony Perkins nos premia com uma senhora performance como Norman Bates. Flertando entre a loucura e a inocência, Perkins caracteriza um personagem que é apaixonante ao mesmo tempo em que desperta os medos mais profundos. Sem dúvidas o ponto alto, e olha que o personagem aparece apenas após os trinta minutos iniciais e tem minutos reduzidos de tela. Janet Leigh no papel da "protagonista" Marion Crane nos capta pela inconstância, não de atuação e sim de sua personagem, em momentos confiantes e em outros extremamente frágil, sendo essencial para criar a icônica cena de sua morte.
As cenas de morte, tanto de Marion quanto do Detetive Arbogast (Martin Balsam), são marcantes, o modo frenético de edição somado a famosa trilha são de arrepiar, uma aula de cinema. Psicose é marcante em tantos aspectos que fica imperceptível a sua montagem tão comum e semelhante aos filmes atuais, frenética e cheia de reviravoltas, podia facilmente ter sido produzida na década de 2010.
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É difícil encontrar erros, porém dois são destacáveis. As disputas corporais finais para o ápice do filme, quando é realizado o enfrentamento contra Norman e sua versão Norma, é extremamente artificial e difícil de comprar nos dias atuais. E por último, a cena final de explicação por parte do psicólogo sobre a dupla personalidade e toda a história é completamente deslocada de todo o clima anterior, ficando claro que foi uma decisão de Hitchcock (ou da produtora) com medo que o público da época não entendesse seu filme. Algo resolvido pelo monologo final e as caretas de Perkins, resolvendo esse pequeno erro.
Psicose é o filme mais pipoca dos analisados até o momento. É bem plausível que o público atual aceitasse o longa, ainda que seja em preto e branco, e o assista como se fosse uma produção mais recente. Psicose faz tensão em coisas simples e conquista com uma trama básica e ao mesmo tempo profunda, mas cativante do primeiro minuto ao último.
