As consequências

Um ano atrás a Netflix lançou uma de suas produções mais polêmicas, 13 Reasons Why (no Brasil, os 13 Porquês). Baseado em livro de mesmo nome, conta a história de uma jovem que se suicidou e deixou 13 fitas para 13 pessoas contando as motivações para tal ato, gerou discussões em todos os meios pela maneira como tratou o suicídio e se ela era um aviso ou uma motivação para os espectadores. Agora, na última semana foi disponibilizada a nova temporada, que tem como foco as consequências das fitas. Afinal, a segunda temporada é boa ou foi feita apenas por causa do sucesso da primeira?
A segunda temporada retrata as consequências da morte de Hannah e a difícil jornada de nossos personagens rumo à recuperação. A escola Liberty se prepara para ir a julgamento, mas alguém quer impedir a todo custo que a verdade sobre a morte de Hannah venha à tona. Fotos ameaçadoras levam Clay e seus colegas à descoberta de um segredo terrível - e uma conspiração para encobri-lo. Esse é o enredo básico que carrega a nova temporada, porém ela foge bastante disso em alguns momentos, para focar mais em como os indivíduos diretamente afetados pela morte de Hannah estão vivendo.
Esse é o forte do novo ano. Para encerrar o arco de Hannah, que para muitos não merecia mais rodeios após o primeiro ano, eles resolvem apresentar por episódio um depoimento do caso Hannah contra a Escola, utilizando também desses personagens para narrar o episódio e contar o seu lado da história apresentada por Hannah nas fitas. Com isso vemos Clay atormentado por não esquecer Hannah, Justin e Alex sofrendo as consequências de suas ações no final da primeira temporada e Jessica constrangida sem saber o que deve fazer. São apenas alguns exemplos.
Se cria uma dúvida em relação as declarações de Hannah. Ela não é intocável como na primeira temporada, o que pode deixar certar pessoas irritadas. Não foi meu caso, a série coloca bem o outro lado da história, apesar de em alguns momentos expor mentiras e inconstâncias desnecessárias.
A temática suicídio e bullying seguem ali. Mais aprofundadas e ainda mais sem limites. Se as críticas foram pela maneira como tudo foi mostrado na primeira temporada ainda está ali, de modo mais leve visualmente, mas com temas mais pesados. O ritmo aqui melhorou, antes a série demorou para crescer e se tornar agradável, com primeiros episódios bem arrastados, na nova temporada o ritmo é constante do início ao fim, mantendo o espectador fixado nos desenrolares, seja no tribunal ou na vida dos jovens.
Algumas soluções de roteiro são bem discutíveis. Como as fotos Polaroid que Clay recebe e pouco são uteis no final da trama, as mudanças abruptas de atitudes de certos personagens, até mesmo personagens que começam importantes e são esquecidos mais tarde ou as tramas pouco exploradas que acabam ganhando grande destaque, várias coisas são inseridas e acabam apenas servindo de complemento. Aliás, o tempo de cada episódio é excessivo e diminui a qualidade, 13 capítulos de 1 hora cada cria tramas inúteis para a história geral.
Existe uma evolução clara. Desde as tramas até tecnicamente falando. Segue sendo extremamente polêmica e que deve gerar discussões por toda a internet. Ah, existe um gancho para uma possível nova temporada, o que pareceu completamente desnecessário. Não é uma obra prima, contudo também não é aquele lixo que foi esperado após ser confirmada a nova temporada sem nenhum gancho. Cumpre bem o que pretende, apesar de não ter o fator surpresa da primeira.
Nota: 7,9

